A síndrome do túnel do carpo, a neuropatia compressiva mais comum do membro superior, pode evoluir sem aviso, transformando sintomas leves em perda de função nervosa irreversível. A condição afeta entre 1% e 5% da população e exige avaliação especializada para definir o tratamento adequado.
A síndrome ocorre pela compressão do nervo mediano no punho, dentro de um canal estreito chamado túnel do carpo, explica o médico ortopedista Dr. Bruno Gianordoli Biondi, especialista em cirurgia da mão do Centro Médico Alto de Pinheiros (CMAP). O nervo dá sensibilidade ao polegar, indicador, dedo médio e parte do anelar, além de comandar a oposição do polegar. O especialista detalha que a compressão começa com alterações na oxigenação do nervo e inchaço, podendo progredir para a perda das próprias fibras nervosas.
Sintomas como formigamento ocasional e dormência noturna são iniciais, mas sinais mais avançados incluem fraqueza para mover o polegar, perda de sensibilidade persistente e a atrofia da musculatura da base do polegar, conhecida como atrofia tenar. Juntos, esses sinais indicam que o tratamento sem cirurgia pode não ser suficiente, especialmente se durarem mais de dez meses.
Para casos leves a moderados, o tratamento inicial envolve terapia manual, exercícios, fisioterapia, tala noturna e injeções de corticosteroide. Contudo, o Dr. Bruno Gianordoli Biondi afirma que evidências recentes mostram que a cirurgia tem benefício superior no longo prazo, apresentando maior chance de normalizar a condução nervosa.

