O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou ação civil pública contra a Tools for Humanity Corporation e a Amazon AWS Serviços Brasil. O processo alega práticas abusivas na coleta de dados biométricos de íris de consumidores paulistanos, que foram escaneados em troca de compensação financeira.
A investigação, originada do relatório final da CPI da Íris da Câmara Municipal de São Paulo, apurou que mais de 400 mil pessoas tiveram a íris escaneada. Segundo o MPSP, a operação concentrou-se em regiões periféricas, atingindo principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, mediante valores que variavam entre R$ 300 e R$ 700.
A promotora de Justiça Patrícia Leitão requer, em caráter liminar, a suspensão de novas coletas de íris mediante qualquer benefício e a eliminação irreversível dos dados já coletados. O órgão pleiteia, ainda, um pagamento de, no mínimo, R$ 240 milhões em indenização à coletividade por danos morais.
A Tools for Humanity Corporation opera o projeto World ID, que visa criar uma identidade global. A empresa, no entanto, manteve a prática de oferecer compensação financeira mesmo após determinação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em janeiro de 2025. A Promotoria caracterizou ‘publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade dos consumidores e vício no consentimento’.

