A crença de que cobrir alimentos quentes em recipientes plásticos faz com que eles estraguem mais rápido é um mito. Segundo uma engenheira de alimentos, o risco não está na tampa, mas no tempo que o alimento permanece fora da refrigeração.
A especialista esclareceu que o vapor liberado por alimentos quentes se condensa na tampa, transformando-se em água que já estava presente no alimento. Ela afirmou que “As bactérias não aparecem magicamente, nem a condensação faz com que o alimento estrague”. Após o cozimento, a maioria dos microrganismos é eliminada pelo calor, mas esporos resistentes, como o Bacillus cereus, podem sobreviver.
O fator crucial é o tempo de exposição à “zona de perigo”, faixa entre 5°C e 60°C, onde esses esporos podem se multiplicar. Um estudo analisou mais de 220 processos de resfriamento e indicou que a profundidade do alimento era mais relevante que o uso de tampa. Porções menores, com cerca de cinco centímetros ou menos, permitem que o calor escape mais rápido.
A recomendação é dividir os alimentos em recipientes rasos e refrigerá-los o quanto antes. Se o alimento estiver fervendo, a especialista sugere deixar a tampa ligeiramente entreaberta por alguns minutos antes de fechá-la. O fator determinante para a conservação é reduzir o tempo de exposição a temperaturas que favorecem microrganismos.

