O Brasil registrou em 2025 o maior número de mortes decorrentes de intervenção policial da última década, totalizando 6.602 vítimas. O dado, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta um aumento de 5,4% em relação ao ano anterior, elevando o índice em 55,7% em dez anos.
O levantamento do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública indica que uma em cada seis mortes violentas no país é de autoria de policiais civis ou militares. O relatório afirma que o poder público “tem sido parte do problema e não apenas da solução para a segurança nacional”. Mortes violentas intencionais é uma categoria que engloba homicídios, feminicídios, latrocínios e mortes em intervenções policiais.
A letalidade policial se agrava em regiões como o Rio de Janeiro, onde a Operação Contenção, em outubro do ano passado, resultou em 122 mortos. Segundo a diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, episódios como esse expõem a fragilidade dos mecanismos de controle externo da força. O Amapá manteve a maior taxa de mortes pelas polícias pelo sétimo ano consecutivo.
O perfil das vítimas reforça desigualdades: 99,3% são homens e 82% são pessoas negras. O risco de um negro ser morto pela polícia no Brasil é 3,5 vezes superior ao de um branco. Além disso, 46% das mortes concentram-se na faixa etária de 20 a 29 anos.
Enquanto a violência externa cresce, as instituições enfrentam crise interna. Em 2025, houve 110 casos de suicídio de policiais, número quase quatro vezes superior às 29 mortes de agentes ocorridas durante o expediente. O estudo aponta a necessidade de combater o assédio moral e a cultura do policial herói.

