A Alemanha autorizou um projeto nuclear franco-russo na Baixa Saxônia, no norte do país, permitindo que a subsidiária francesa Framatome produza barras de combustível de padrão soviético em Lingen. A decisão, tomada apesar de críticas sobre potenciais riscos de espionagem e sabotagem por Moscou, foi concedida pela secretaria do Meio Ambiente.
A autorização foi concedida à Advanced Nuclear Fuels (ANF), empresa ligada à Framatome, em cooperação com o grupo estatal russo TVEL/Rosatom. O projeto, que visa abastecer usinas no Leste Europeu, foi solicitado em março de 2022, pouco depois do início da invasão russa à Ucrânia. O órgão concedeu a aprovação, sujeita a condições, com orientação do Ministério do Meio Ambiente em Berlim.
O titular da pasta, Christian Meyer, declarou que negociações com a agência nuclear russa são equivocadas, mas explicou que o órgão não possuía base legal para rejeitar o pedido, visto que a Rosatom não está sob sanções da União Europeia. A Framatome afirmou que a colaboração visa diversificar compras e fortalecer a segurança energética europeia.
O projeto foi alvo de escrutínio, e a licença inclui exigências como a proibição de entrada de funcionários da TVEL ou Rosatom nas instalações, além de auditorias de segurança externas. Por outro lado, o presidente da Comissão Parlamentar de Controle de Serviços de Inteligência do Bundestag, Marc Henrichmann, criticou a parceria, alertando que a Rússia tenta manter controle indireto sobre infraestrutura crítica.

