Sindicatos de atletas, árbitros e federações solicitaram ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que reprove a operação entre o Futebol Forte União (FFU) e a investidora Sports Media Entertainment. As entidades alegam que o modelo concentra poder econômico no investidor, comprometendo a autonomia dos clubes e a sustentabilidade do futebol nacional.
A Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) e a Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf) apresentaram pedidos ao Cade, impugnando o mérito da operação. As entidades defendem que o modelo vigente no bloco concentra poder econômico nas mãos da gestora e do investidor, criando barreiras à concorrência e afetando os profissionais do esporte. O pedido é acompanhado de parecer técnico da Tendências Consultoria.
O cerne da contestação reside na aquisição, pela Sports Media, de percentuais minoritários, variando entre 10% e 20%, dos direitos de arena dos clubes FFU. Este acordo, iniciado em 2023, possui um prazo de 50 anos. Ambas as entidades argumentam que o negócio aprisiona o principal ativo econômico do futebol nacional, impactando diretamente salários e condições de trabalho dos atletas até 2074.
O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional e suas Entidades Estaduais de Administração e Ligas (Sinafut) também se habilitou no processo. A entidade sindical afirmou que o formulário de notificação ao órgão federal omite regras essenciais de governança, permitindo que a Sports Media exerça controle preponderante sobre o arranjo, apesar de sua participação econômica ser minoritária.

