O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que a queda do ATR 72 da Voepass em Vinhedo, em agosto de 2024, resultou da combinação de 19 fatores técnicos, operacionais e regulatórios. O acidente causou a morte de 62 pessoas.
A investigação apontou a existência de uma “cultura organizacional de normalização de desvios” na Voepass e em sua antecessora, a Passaredo. Segundo o Cenipa, havia prática de não registrar panes e de manter aeronaves em operação sem a correção definitiva de falhas. Além disso, a repetição de alertas em voos anteriores gerou complacência entre os pilotos.
O relatório detalhou que a aeronave apresentava falhas recorrentes no sistema Airframe De-Icing. Em pelo menos um dos voos, o sistema Stick Pusher foi acionado 16 vezes, sem que tais eventos fossem formalmente reportados. O Cenipa também identificou falhas de julgamento de pilotagem e coordenação de cabine, agravadas pela elevada carga de trabalho.
A comissão avaliou a atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Embora a agência tenha identificado fragilidades nos controles de manutenção, o Cenipa concluiu que essas condições não foram incorporadas aos processos de gerenciamento de risco da companhia, permitindo a continuidade das operações.

