O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou um relatório que aponta falhas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) no gerenciamento de riscos da Voepass. A atuação da agência reguladora foi listada como um dos 19 fatores que contribuíram para o acidente do voo 2283, que resultou em 62 mortes em Vinhedo, São Paulo.
A avaliação, apresentada pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes em Brasília, concluiu que a Anac identificou diversas irregularidades na companhia aérea entre janeiro de 2022 e agosto de 2024. Durante esse período, a agência realizou inspeções mensais e auditorias, chegando a afirmar que a Voepass adotava práticas não aceitáveis para a segurança operacional.
Apesar das medidas administrativas preventivas e sancionatórias aplicadas, como a suspensão de aeronaves em 24 ocasiões em 2023, o Cenipa afirmou que o conjunto de informações não foi transformado em decisões estratégicas suficientes. O relatório identificou que aeronaves eram liberadas para voar após o vencimento do prazo da Lista Mínima de Equipamentos (MEL).
A investigação também apontou que a falha na gestão de riscos permitiu que a companhia continuasse operando mesmo diante de sinais de deterioração da segurança. A FAB reforçou que a atuação da Anac foi apenas um dos 19 fatores, e que a cultura organizacional da Voepass dificultou a inspeção da agência.

