Um terreno de 51 mil metros quadrados, vendido por um senador da Bahia, valorizou 11.400% após a construção da Via Metropolitana, rodovia que foi planejada durante seu mandato. A área, comprada em 2000 por R$ 28 mil, foi negociada por R$ 15 milhões, mas teve a transferência barrada pelo Supremo Tribunal Federal.
O imóvel, localizado entre a Via Metropolitana e o rio Joanes, foi adquirido pelo político em março de 2000, quando atuava como deputado federal. A área, que equivale a sete campos de futebol, pertencia a uma fração de terreno maior da Traneves Patrimonial. A valorização ocorreu após a consolidação da Via Metropolitana, que liga Salvador a Camaçari e foi estudada desde 2011, na gestão do senador.
A rodovia, que contorna Lauro de Freitas, teve seu aditamento de contrato assinado pelo senador em setembro de 2014, ampliando o prazo de concessão do sistema BA-093. As obras físicas começaram em janeiro de 2015 e foram concluídas em 2018, com investimento de R$ 220 milhões. O empreendimento residencial e o centro de treinamento, integrados ao terreno, foram anunciados em abril deste ano.
A venda do terreno foi interrompida em 25 de junho por decisão do ministro André Mendonça, do STF, no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades ligadas ao Banco Master. A empresa proprietária do terreno afirmou que a negociação ocorreu décadas antes do projeto atual, alegando que se trata de operações distintas.

