Mais de mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão em Goiás, conforme fiscalizações do Ministério do Trabalho. A maioria dos casos identificados ocorre em atividades de apoio à agricultura, como cultivo de cana-de-açúcar e alho. O instrumento de transparência pública, a Lista Suja, registra os responsáveis pelas ocorrências.
O auditor-fiscal do Trabalho, Nei Alexandre, informou que o resgate imediato dos trabalhadores e a aplicação de sanções administrativas e penais aos acusados são procedimentos padrão. Em 2023, foram resgatados 736 trabalhadores; em 2024, 165; e em 2025, 134, segundo o auditor.
O procurador do Ministério Público do Trabalho, Tiago Cabral, explicou que a queda no número de resgates pode ser um efeito pedagógico da fiscalização, que alerta o setor produtivo sobre as práticas ilegais. O processo fiscalizador, em casos corporativos, mobiliza um grupo que inclui órgãos trabalhistas, polícia e assistência social.
Cabral afirmou que a vulnerabilidade socioeconômica e as falsas promessas são as razões que levam pessoas, muitas vezes migrantes de outras regiões, a aceitarem essas condições. Ele detalhou que, após a chegada, os trabalhadores são cobrados por custos de viagem e alimentação, configurando servidão por dívida.
A Lista Suja inclui nomes de indivíduos e empresas. Entre os casos registrados, constam resgates realizados em propriedades de pessoas como Agnes Megumi Horiguchi, com 36 trabalhadores, e Alceu Pereira Lima Neto, com 116 trabalhadores em três propriedades.

