Lideranças indígenas e representantes de movimentos sociais solicitaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a suspensão da dragagem emergencial no rio Tapajós, no Pará. O grupo, que se reuniu no Palácio do Planalto na quinta-feira (23), cobrou que a intervenção passe pelo rito de licenciamento ambiental e por consulta prévia às comunidades afetadas.
O governo classifica a dragagem como manutenção e argumenta que a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental autoriza intervenções em rios navegáveis para melhoramento da infraestrutura. Contudo, os indígenas afirmam que a ação coordenada ultrapassa a simples manutenção e privilegia interesses logísticos de exportação em detrimento das populações locais.
Segundo estimativas governamentais, a paralisação da navegação pode ocorrer em três a quatro meses, o que colocaria em risco o transporte de 3,1 milhões a 5 milhões de toneladas de grãos, gerando prejuízo ao agronegócio entre R$ 510 milhões e R$ 850 milhões. O setor portuário, por sua vez, enviou carta ao governo pedindo a liberação imediata da obra, alegando que o El Niño exige resposta urgente.
Em contrapartida, os povos originários apresentaram nota técnica que contesta o plano, indicando que o volume previsto de retirada de sedimentos pode caracterizar o aprofundamento e alargamento efetivo do leito do rio, e não apenas a manutenção da hidrovia natural do Tapajós.

