Pesquisadores obtiveram sucesso ao preservar rins de porco por dias em temperaturas super-resfriadas, um avanço que visa solucionar a grave escassez de órgãos doadores. O estudo, que utilizou temperaturas de −4 °C, demonstrou que os órgãos sobreviveram ao armazenamento e foram reimplantados em animais.
A dificuldade em manter órgãos viáveis fora do corpo é um desafio médico constante, visto que eles duram apenas algumas horas, mesmo sob refrigeração. O objetivo de pesquisadores é criar bancos de órgãos capazes de preservar tecidos por semanas ou meses, permitindo testes e a busca por melhores compatibilidades para transplantes.
O método desenvolvido envolveu o super-resfriamento dos rins de porco, cujas dimensões são similares às humanas. O trabalho, descrito como um “marco alcançado”, mostrou que os órgãos preservados superaram os resultados de rins mantidos apenas em gelo. O pesquisador Matthew Powell Palm, da Texas A&M, afirmou que sua abordagem não exigiu o uso de crioprotetores.
Além da criopreservação, que é rotina para células reprodutivas, outros métodos estão sendo explorados. Dispositivos de perfusão mecânica mantêm órgãos como fígado e rins por até 24 horas e estão sendo adaptados para outros tecidos, como olhos. Cientistas em Valência, por exemplo, conseguiram manter um útero humano vivo por um dia com um sistema de perfusão próprio.


