O advogado tributarista Luís Garcia classificou o aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros como um sinal de falência da política externa nacional. A medida, que pode chegar a 37,5% de sobretaxa, agrava um ambiente de negócios já adverso para a indústria do país.
Garcia afirmou que o aumento tarifário representa “o ápice do sufocamento de quem gera riqueza no país”. Segundo o especialista, a cobrança adicional deve ser analisada junto aos entraves internos, como juros elevados e o sistema tributário. Ele declarou que o ambiente regulatório brasileiro impõe “juros confiscatórios” e um “manicômio tributário”, fatores que, somados às novas tarifas, podem inviabilizar a exportação de produtos industrializados de maior valor agregado.
O jurista criticou a condução da política externa brasileira durante as investigações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Ele comentou que o governo brasileiro demonstrou “passividade gritante durante o processo de negociação”, perdendo capacidade de diálogo com seu principal comprador de produtos industrializados.
A nova cobrança de 12,5% se soma à tarifa de 25% aplicada ao Brasil, determinada pelo presidente dos EUA. Garcia alertou que uma resposta retaliatória do Brasil seria prejudicial ao setor privado, pois isolaria o país e encareceria insumos importados. O tributarista concluiu que o tarifaço norte-americano é o preço que a economia real paga por uma governança pública desastrosa.

