A empresa aérea Voepass fingia consertar aeronaves com defeito para burlar regras de segurança aérea, conforme relatório final do Cenipa. A investigação aponta que a companhia colocava aviões com problemas técnicos para voar sem a correção efetiva da pane, mascarando falhas crônicas.
O documento do Cenipa detalha que, em situações onde os prazos de manutenção expiravam, a solução adotada era registrar testes operacionais ou soluções de panes sem a devida ação corretiva. Essa conduta resultava na renovação sucessiva do item de manutenção sem a correção definitiva do problema.
A aeronave em questão, um ATR-72 de matrícula PS-VPB, não deveria ter decolado. Ela operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo, inoperante. Em condições severas de formação de gelo, o voo não deveria ter sido autorizado.
O incidente ocorreu quando a aeronave fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). O acúmulo de gelo comprometeu o desempenho, causando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e a queda sobre uma área residencial em Vinhedo. No total, 58 passageiros e quatro tripulantes morreram.


