O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, afirmou que a empresa Voepass fornecia dados falsos sobre reparos em suas aeronaves. A declaração ocorreu após a queda de um avião da companhia em 9 de agosto de 2024, que resultou na morte de 62 pessoas.
Faierstein declarou que o corpo técnico da Anac realizou análises baseadas em documentos que não eram verdadeiros, admitindo que a agência foi enganada. Ele citou um exemplo em que fiscais verificaram que, embora houvesse registro de troca de peças, o procedimento não havia sido realizado na prática.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), concluiu que a queda foi resultado de falhas da empresa, da aeronave, dos pilotos e da própria Anac. A investigação apontou 19 fatores, sendo 15 contribuintes diretos.
Entre os fatores, os investigadores identificaram falhas recorrentes no sistema de degelo, que não foram registradas no diário de bordo. O encarregado da investigação, tenente-coronel aviador Paulo Mendes Fróes, afirmou que havia uma cultura organizacional de “normalização de desvios” na empresa, onde falhas eram ignoradas para permitir voos subsequentes.

