Quatro lideranças do povo Ashaninka estiveram em Brasília nesta quinta-feira para solicitar ao governo federal uma resposta coordenada contra o avanço do crime organizado transnacional na fronteira entre Brasil e Peru. A mobilização ocorre após um atentado em 6 de julho na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no Acre, onde homens armados invadiram a aldeia.
O episódio de 6 de julho rompeu a tranquilidade da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia. Os indígenas relataram a presença de cinco criminosos, armados e falando espanhol, que buscavam intimidar defensores ambientais. A gravidade da ameaça levou à Operação Ashaninka, mobilizando tropas do Exército Brasileiro em conjunto com a Sejusp e o Gefron.
As lideranças afirmam que intervenções pontuais de segurança são insuficientes para conter a estrutura criminosa, que une narcotráfico e crimes ambientais. Segundo Francisco Piyãko, coordenador-geral da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), a comunidade vive uma “tensão de guerra”. Ele declarou que o Estado precisa de “presença permanente e cooperação internacional” contra as redes transnacionais.
A crise reflete a convergência de narcotráfico, exploração ilegal de madeira e mineração clandestina. O crime ambiental é reconhecido como o terceiro mercado ilícito mais lucrativo do planeta. Para conter o avanço, defende-se um plano de ação binacional permanente entre Brasil e Peru, combinando inteligência financeira e patrulhamento integrado.

