Um novo instrumento, o Demon Box, transforma o zumbido de aparelhos eletrônicos em música ao captar campos eletromagnéticos invisíveis. O dispositivo, desenvolvido por Alexandra Fierra, converte essas radiações em áudio, sendo lançado após uma campanha de financiamento coletivo que superou US$ 111.000.
O Demon Box, da empresa Eternal Research, é um aparelho de mesa que utiliza 33 pequenos indutores dispostos em três canais para funcionar como antenas. Ele detecta campos magnéticos e pode emitir o sinal como áudio, tensão de controle para sintetizadores modulares ou MIDI para acionar outros elementos visuais. Fierra explica que o movimento do som reside na interferência entre os sinais, gerando ritmos e amplitudes variáveis.
A ideia de escutar campos eletromagnéticos não é nova. Desde o final dos anos 1970, a artista alemã Christina Kubisch utilizava bobinas de indução para tornar a atividade elétrica urbana audível. Fierra vê o Demon Box como uma evolução desse conceito, transformando-o em um instrumento expressivo e espacializado. Ela afirma que o objetivo não é apenas transformar o ruído, mas sim “tornar-se um ouvinte melhor dos detalhes”.
A criadora, que se descreve como ex-luddita, enxerga a tecnologia como uma ferramenta, comparando um sintetizador a um novo tipo de serra. Ela utiliza o dispositivo para captar campos de ímãs permanentes, bobinas de alto-falantes Bluetooth e até luzes fluorescentes, gerando paisagens sonoras complexas. Fierra compara o projeto a “um legado de The Rite of Spring”, mudando a orientação do que é percebido no ambiente.

