O presidente da Argentina, Javier Milei, acusou o governo brasileiro de financiar uma campanha ‘anti-Argentina’ durante as eleições presidenciais de 2023. As declarações foram feitas no domingo, 27, em entrevista a veículos de comunicação. Milei alegou que cerca de 25% dos recursos da suposta campanha teriam origem no governo brasileiro.
O líder da Casa Rosada também criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por negar seu pedido de visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Milei comparou a decisão à visita feita por Luiz Inácio Lula da Silva, em 2025, à ex-presidente argentina Cristina Kirchner, também em prisão domiciliar, e afirmou que Bolsonaro está preso injustamente.
As falas de Milei, feitas em um evento do Partido Liberal (PL) em São Paulo, geraram tensão diplomática. O Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas em Brasília. Em seguida, chamou o embaixador da Argentina no Brasil para manifestar a repulsa do governo brasileiro às declarações do presidente argentino.
Autoridades argentinas descartaram um pedido formal de desculpas ao governo brasileiro após as críticas de Milei a Lula e a Moraes. Uma fonte próxima à Casa Rosada confirmou que não há previsão de retratação oficial, sugerindo que o silêncio poderia ser uma estratégia para conter a crise.

