A Starbucks cancelou o uso de uma ferramenta de contagem de estoque baseada em inteligência artificial, desenvolvida pela NomadGo. O sistema, que utilizava visão computacional para automatizar a contagem de suprimentos em suas lojas, foi retirado em maio após apresentar falhas operacionais em larga escala.
A tecnologia, denominada “Automated Counting”, foi projetada para transformar uma tarefa manual de uma hora em um processo de dez a doze minutos, permitindo que baristas se concentrassem no atendimento ao cliente. O sistema foi implementado rapidamente nas 11.300 lojas operadas pela empresa na América do Norte, utilizando iPads equipados com visão computacional e realidade aumentada para escanear prateleiras de estoque.
No entanto, o ambiente real das lojas gerou falhas constantes. Baristas relataram erros de câmera, como a duplicação de contagens de leite devido a reflexos em geladeiras, e a perda de progresso de contagem em locais com sinal de Wi-Fi instável. Segundo a imprensa, os problemas técnicos derivaram de limitações de software e da infraestrutura legada da Starbucks, que utiliza um sistema IBM AS/400 datado dos anos 1990.
O CEO da NomadGo, David Greschler, explicou que a visão computacional enfrenta dificuldades quando o inventário muda, exigindo até seis semanas de retreinamento para novos produtos. A empresa de tecnologia foi notificada do cancelamento em 3 de abril e, após seis semanas, a Starbucks comunicou o fim do uso da ferramenta, instruindo os funcionários a voltarem aos registros manuais.
Em resposta, um porta-voz da Starbucks declarou que a empresa investiu US$ 500 milhões para aumentar a presença de funcionários nas cafeterias. A companhia afirmou que usa a tecnologia para apoiar a conexão humana, e não para substituí-la, adaptando-se ao feedback recebido.

