Empresas brasileiras dos setores têxtil e de confecção sentem o impacto da tarifa de 37,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos não isentos. O diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, afirmou que a medida compromete a competitividade do setor e exige mobilização para preservar as exportações.
Segundo o executivo, a soma da tarifa adicional de 25% com a sobretaxa de 12,5% atingiu quase toda a pauta exportadora da indústria, exceto cordéis de sisal e roupas usadas. Pimentel declarou que o Brasil passa a enfrentar uma das maiores tarifas entre os parceiros comerciais dos Estados Unidos, ficando em terceiro lugar, após China e Canadá, no acúmulo de encargos.
A Abit intensificou a diplomacia empresarial junto às associações norte-americanas e fornece informações técnicas para subsidiar as tratativas oficiais do governo brasileiro. Contudo, o mercado interno também enfrenta obstáculos, pois a indústria nacional sofre concorrência de produtos importados, o que o dirigente classificou como um “tarifato às avessas”.
Pimentel apontou que pequenas e médias empresas são as mais vulneráveis, pois algumas dependem de 50% ou 60% da receita do mercado norte-americano. Como alternativa, o acordo Mercosul-União Europeia é visto como oportunidade, com previsão de tarifas reduzidas a zero em oito anos, embora exija investimentos em feiras e missões comerciais.

