Pesquisadores defenderam nesta segunda-feira (27), em Niterói, que a expansão de data centers no Brasil deve ser acompanhada de planejamento e regras claras. Os especialistas apontaram a necessidade de políticas públicas para reduzir impactos socioambientais e evitar a exploração de recursos naturais.
Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará (IFCE), afirmou que o país corre risco de repetir uma lógica de exploração de recursos sem garantir contrapartidas nacionais. Ele destacou que a discussão sobre os centros de processamento de dados precisa mobilizar universidades, governo e sociedade. Oliveira citou um projeto no Ceará que consumirá cerca de 300 megawatts de potência e defendeu mecanismos de monitoramento e transparência.
Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), complementou que os impactos vão além do consumo de água e energia. Ele mencionou efeitos como poluição sonora, pressão sobre recursos e riscos a comunidades vulneráveis. Levy defendeu que a transição digital e a ecológica devem ser integradas, exigindo participação social nas decisões.
O pesquisador também associou a expansão ao conceito de colonialismo digital, no qual nações do Sul Global fornecem recursos para sustentar a infraestrutura tecnológica de empresas do Norte Global. Os especialistas pediram que critérios de sustentabilidade e transparência sejam incorporados aos empreendimentos.

