A Escola do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro (ELERJ), da Alerj, promoverá em 11 de agosto um debate sobre vieses cognitivos que influenciam a avaliação de mulheres em cargos de liderança. O encontro, conduzido pela juíza federal e pesquisadora Alessandra Belfort Bueno, discutirá como percepções de maior emocionalidade feminina são, na verdade, reflexo de estereótipos de gênero.
A palestra, intitulada “A mulher é mais emocional… ou apenas mais julgada?”, focará nos fatores inconscientes que moldam a avaliação de mulheres em posições de destaque. Segundo pesquisas em psicologia, a ideia de que mulheres são mais emocionais não se baseia em dados objetivos, mas sim em vieses cognitivos e estereótipos de gênero.
Alessandra Belfort Bueno, que possui duas décadas de atuação e mestrado em Psicologia Forense, afirmou que a crença de que mulheres são menos racionais por serem mais emocionais é um equívoco. Ela explicou que a emoção integra todas as decisões humanas, mas que, quando uma mulher decide, esse aspecto é frequentemente usado para questionar sua competência.
A magistrada comentou que julgamentos sociais distorcem a interpretação de comportamentos: “Quando uma mulher demonstra firmeza, frequentemente é percebida como agressiva. Se demonstra empatia, pode ser considerada frágil.” Ela acrescentou que a consciência desses vieses aumenta as chances de construir decisões mais justas e ambientes profissionais baseados em critérios objetivos.


