O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, solicitou à Procuradoria-Geral da República que se manifeste sobre o cancelamento do depoimento de um senador investigado por possível calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A oitiva, marcada para as 14h na Polícia Federal, não ocorreu, e o órgão tem 15 dias para responder ao pedido.
A investigação apura declarações do senador que relacionam Lula a práticas criminosas, como tráfico de drogas e apoio ao terrorismo. Moraes, relator do caso, declarou que a Polícia Federal havia dado ao parlamentar a chance de definir data e horário para o ato. Segundo o ministro, não houve resposta para viabilizar o depoimento, nem mesmo por videoconferência.
Em seu despacho, Moraes afirmou que o senador foi devidamente intimado para a terça-feira, dia 28 de julho de 2026, mas apresentou argumentos por escrito antes do ato, sem comparecer à Polícia Federal. Os advogados do senador enviaram nota à PF alegando que a publicação em janeiro de 2026, que comparava Lula a Nicolás Maduro, não configura calúnia.
A defesa sustentou que as manifestações se inserem no debate político e dizem respeito a posicionamentos públicos. Os advogados argumentaram que estabelecer comparações entre o presidente e o líder venezuelano, no âmbito da crítica política, não configura calúnia, defendendo a liberdade de expressão como pilar do Estado Democrático de Direito.

