O governo prorrogou a edição atual do programa Desenrola Brasil, que permite a renegociação de dívidas bancárias. A iniciativa, lançada em maio, será estendida até 31 de agosto, coincidindo com o início da campanha eleitoral. O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou a mudança, que não exigirá novos aportes no Fundo de Garantia de Operações (FGO).
A decisão de estender o programa foi tomada também a pedido dos bancos, que avaliam maior demanda. Segundo Durigan, o prazo adicional ajudará pessoas a resolver pendências antes de acessar programas de financiamento de veículos. O ministro estimou que a prorrogação deve beneficiar 10 milhões de famílias.
Até o dia 23, o programa renegociou R$ 22 bilhões em dívidas, abrangendo 3,6 milhões de operações de pessoas físicas. Os participantes podem obter descontos de até 90% e pagar com juros de até 1,99% ao mês, em até 48 meses. O Desenrola foi criado em um contexto de alto endividamento, onde as dívidas das famílias representam 30% da renda acumulada em 12 meses, segundo o Banco Central.
Pesquisadores, contudo, alertam que o alívio isolado não resolve o problema estrutural. Flávio Ataliba, pesquisador da FGV Ibre, afirmou que, sem mudar os fatores que alimentam o endividamento, como os juros do crédito rotativo e a Taxa Selic, o ciclo de dívidas permanecerá elevado. A taxa média de juros no crédito livre para famílias supera 60% ao ano, patamar superior ao de 2017.

