Pesquisadores questionam a interpretação de dados que colocam líderes religiosos em última posição na influência do voto brasileiro. Embora a pesquisa aponte que pastores e padres pesam pouco na escolha do eleitor, especialistas afirmam que a religião mantém relevância na política nacional.
O cientista político Guilherme Carvalho explicou que a baixa influência declarada pode refletir constrangimento do entrevistado, e não a perda de espaço da fé. Segundo Carvalho, é preciso analisar a influência da comunidade religiosa e dos valores compartilhados, e não apenas a orientação de um indivíduo. Ele declarou que não há evidências de que a religião esteja enfraquecendo, mas sim que sua manifestação mudou.
O especialista em marketing político Luiz Carlos destacou que o crescimento do eleitorado evangélico é um fator crucial. Ele afirmou que, embora a influência direta dos líderes não seja declarada pela maioria, o eleitor evangélico tende a alinhar mais sua identidade religiosa ao posicionamento político. Luiz Carlos levantou a hipótese de que essa influência possa ser mais notável em eleições legislativas.
Os analistas concluíram que a influência religiosa pode ocorrer de forma indireta, por meio da identificação com valores ou da mobilização comunitária, e não apenas por uma orientação direta de um líder. Essa diferença entre a influência assumida e a indireta é vista como chave para entender a relação entre fé e voto no país.

