A Alemanha intensifica os esforços para desradicalizar jovens islamistas, especialmente após um atentado em Berlim. Projetos como o Programa de Desligamento do Islamismo (API) lidam com casos que migraram do radicalismo presencial para o ambiente digital, segundo especialistas.
O acompanhamento de indivíduos que buscam romper com o extremismo é um processo longo e complexo. A assistente social do API, Stefanie Adler, afirmou que o público atendido se tornou mais jovem, e a radicalização ocorre majoritariamente por meio de mídias digitais. Ela explicou que, diferentemente de antes, quando a radicalização ocorria em viagens à Síria, hoje as redes sociais funcionam como “aceleradores da radicalização”.
O debate sobre prevenção se acirrou após o atentado na Marcha do Orgulho LGBTQ+ em Berlim, atribuído a um jovem islamista. Embora o jovem tivesse participado de conversas preliminares em um programa de desradicalização, os responsáveis não tiveram certeza de sua real intenção de abandonar o grupo. O processo de desligamento exige persistência, podendo durar anos, até que o indivíduo demonstre afastamento da violência.
A Associação Federal para o Extremismo de Motivação Religiosa (BAG RelEx) aponta que a radicalização é multifatorial, combinando crises pessoais, como perda de emprego ou discriminação, com a exploração política. A diretora-executiva da BAG RelEx, Jamuna Oehlmann, criticou a intenção da ministra da Educação, Karin Prien, de reformular o financiamento, pois isso pode desviar o foco das organizações de sua atividade principal.

