O Brasil assumiu a liderança global na importação de automóveis da China no acumulado dos primeiros cinco meses de 2026. O país importou US$ 5,2 bilhões em veículos, representando um aumento anual de 146,9%. Essa expansão, que inclui US$ 4,5 bilhões em eletrificados, levanta preocupações para o setor de locação de veículos.
A aceleração nas compras ocorreu em parte devido à antecipação de aquisições antes da elevação das tarifas de importação para 35% em julho. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), as compras de automóveis chineses representaram cerca de 15% do total de importações do país asiático. As vendas domésticas de veículos leves eletrificados cresceram 125% no primeiro semestre de 2026, atingindo 215 mil unidades.
Especialistas apontam que a expansão chinesa é estrutural, sustentada por preços competitivos e tecnologia. O Goldman Sachs alertou que a entrada de veículos mais baratos pode levar a maior depreciação das frotas. Para a Localiza, o banco estima que 1% de variação nos preços dos carros novos no Brasil impacta R$ 570 milhões no valor contábil da frota.
Olhando para o futuro, o ex-presidente da Anfavea, Rogélio Golfarb, projetou que as marcas chinesas podem atingir 35% do mercado brasileiro de veículos até 2035. Apesar do risco, analistas indicam que fatores como o foco das locadoras em SUVs e a elevação tarifária podem mitigar os impactos.

