Um novo estudo da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, sugere que o impacto de um asteroide há 66 milhões de anos não foi o único responsável pela extinção de cerca de 75% das espécies. A pesquisa aponta que o desastre ocorreu nos dias e anos seguintes à colisão, quando uma nuvem de poeira aprisionou o calor na Terra.
A investigação, publicada no periódico Journal of Geophysical Research: Biogeosciences, explica que a poeira lançada na atmosfera agiu como uma “tampa” sobre o planeta. Essa camada impediu que o calor escapasse para o espaço, resultando em um superaquecimento global e incêndios em escala mundial. O asteroide, que atingiu a região da Península de Yucatán, México, gerou a cratera de Chicxulub.
Os cientistas calcularam que os seres vivos da época foram expostos a uma radiação térmica equivalente a 17 vezes a dose considerada fatal para humanos. Além do calor, a poeira, com diâmetro de cerca de 2,5 micrômetros, bloqueou a luz solar, mergulhando o planeta na escuridão, iluminado apenas pelas chamas. Segundo Brandon Johnson, professor da Universidade Purdue, “A superfície da Terra e tudo o que estava sobre ela acabou sendo carbonizado”.
A análise também revelou que as partículas de poeira, semelhantes à fumaça de incêndios atuais, poderiam penetrar profundamente no sistema respiratório dos animais. A coautora Alexandria Johnson explicou que “A poeira funcionou como uma tampa sobre uma panela, mantendo praticamente todo o calor preso na atmosfera”.

