O setor de serviços, que representa cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, deve sofrer impactos devido à tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida, que entrou em vigor no dia 22, afeta o segmento mesmo sem atingir diretamente as exportações industriais, devido à forte integração das cadeias produtivas.
Carlos Eduardo Oliveira Jr., assessor econômico da Confederação Nacional de Serviços (CNS), declarou que os serviços absorvem efeitos indiretos da desaceleração econômica. Entre os principais impactos previstos estão a diminuição do fluxo de cargas na logística e no transporte, além da redução na demanda por consultorias, auditorias e engenharia empresariais. Há também a postergação de projetos de tecnologia da informação e digitalização.
No segmento financeiro, a expectativa é de maior procura por operações de hedge e gestão de riscos, acompanhada de menor concessão de crédito corporativo. Oliveira Jr. afirmou que a redução da competitividade das exportações brasileiras pode comprometer investimentos, produção e geração de emprego, afetando atividades intensivas em serviços, como logística e sistema financeiro.
Os investidores acompanham o desempenho do setor de serviços, visto que ele funciona como termômetro da atividade econômica. Além disso, Oliveira Jr. comentou que uma possível redução nas exportações ou na entrada de investimentos produtivos pode gerar pressão de valorização da moeda norte-americana frente ao real.

