Consumidores brasileiros passaram a planejar a compra de automóveis sob uma ótica mais ampla, considerando fatores além da necessidade imediata. A decisão agora incorpora a análise da próxima troca, levando em conta evolução tecnológica, custos de manutenção e valor de revenda.
Marcelo Lucindo, CEO da Evoy Administradora de Consórcios, afirmou que o consumidor analisa o veículo dentro de um ciclo de planejamento. Ele considera não apenas o modelo atual, mas também o tempo de permanência e os fatores que influenciarão a substituição futura do carro.
Essa mudança acompanha a evolução da indústria automotiva, que introduz novos modelos e alternativas de propulsão em intervalos menores. Despesas como seguro, manutenção, consumo e depreciação ganharam relevância no custo total de propriedade, tornando o processo de compra mais criterioso.
O sistema de consórcios reflete esse interesse. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) indicam que o segmento de veículos leves atingiu 5,53 milhões de participantes ativos em maio de 2026, com crescimento de 10,2% em relação ao ano anterior. No período de janeiro a maio, foram comercializados R$ 61 bilhões em créditos para automóveis, camionetas e utilitários.
O executivo destacou que o planejamento financeiro permite ao consumidor adaptar-se às transformações do mercado. A definição antecipada do crédito possibilita que a escolha do veículo ocorra mais próxima da contemplação, quando as condições de mercado e as necessidades pessoais estão mais consolidadas.

