A democracia brasileira enfrenta ameaças internas, segundo análises de especialistas, que apontam para a captura do Estado por elites. O problema, que se manifesta de formas históricas e contemporâneas, reside na possibilidade de instituições servirem a interesses particulares em vez do bem público.
Raymundo Faoro, na década de 1950, identificou o estamento burocrático, uma elite que se perpetua no comando da máquina pública, transformando-a em instrumento de preservação de seus interesses. Essa característica, segundo Faoro, tem raízes no Estado patrimonial português. Em contrapartida, Jessé Souza critica essa visão, alegando que o flagelo da escravidão foi o fator determinante na formação das instituições nacionais.
Setenta anos depois, Joaquim Falcão descreve a ameaça atual, argumentando que o risco não está apenas em líderes autoritários, mas na cooperação entre parcelas do Executivo, Legislativo e Judiciário. Ele aponta que, quando os Poderes deixam de competir e passam a proteger interesses convergentes, o sistema de controles mútuos se fragiliza.
Ambos os autores convergem na advertência de que a captura do Estado ocorre por mecanismos sutis, como privilégios corporativos e autoproteção institucional. O desafio, portanto, é reconstruir uma cultura republicana onde o poder seja visto como serviço e responsabilidade, e não como patrimônio.

