A manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos revelou uma divisão interna no Federal Reserve (Fed), segundo Benjamin Mandel, ex-economista da instituição. Mandel afirmou que três membros votaram contra a manutenção dos juros, indicando dificuldade de consenso. Ele prevê que o presidente Kevin Warsh insistirá em política monetária restritiva.
Mandel avaliou que a reunião do comitê foi difícil para formar consenso. Ele disse que a divergência interna sobre o rumo da política monetária foi o principal destaque, apesar da manutenção da taxa já ser esperada pelo mercado. Os dados de inflação e mercado de trabalho vieram mais fracos que o esperado, reforçando a posição de parte do grupo de que os juros atuais controlam a inflação.
Por outro lado, o aumento dos preços do petróleo representa um risco inflacionário, segundo o economista. Ele explicou que esse choque de oferta dificulta o retorno dos índices à meta do Fed, incomodando parte do comitê. Na visão de Mandel, Kevin Warsh buscará reforçar a credibilidade de sua gestão com maior firmeza no combate à inflação.
Além disso, Mandel observou uma mudança na gestão de Warsh em comparação com a de Jerome Powell. O presidente abandonou a estratégia de fornecer indicações prévias ao mercado, conhecida como forward guidance. Essa mudança diminui a sinalização do Fed, aumentando a importância da função de reação do comitê aos indicadores econômicos.

