Especialistas em comércio exterior e relações internacionais indicam que o desgaste na relação econômica entre Brasil e Argentina decorre de fatores estruturais e do cenário internacional, e não apenas das diferenças políticas entre os governos. A incerteza afeta os parceiros sul-americanos, sendo que os problemas comerciais surgiram antes da atual administração argentina.
A crise econômica argentina, as restrições cambiais e as dificuldades de importadores argentinos em obter dólares impulsionaram os problemas comerciais antes da posse do atual presidente argentino. Apesar de indicadores mostrarem desaceleração da inflação, empresas no país vizinho enfrentam dificuldades de financiamento, o que enfraquece o consumo interno e a demanda por produtos brasileiros.
O comércio bilateral mantém-se relevante, com o Brasil exportando automóveis, autopeças e máquinas para a Argentina, enquanto o país vizinho envia trigo e veículos para o Brasil. O ex-embaixador Rubens Barbosa afirmou que a relação entre os países possui interesses permanentes que ultrapassam divergências ideológicas.
Além disso, a disputa entre Estados Unidos e China e o avanço de medidas protecionistas globais forçam ambos os países a buscar maior competitividade. Representantes do setor empresarial defendem a preservação dos mecanismos de integração, mesmo com o esfriamento da relação política, pois a interdependência econômica permanece elevada.

