Uma ventania incomum atingiu o Rio de Janeiro na tarde de quarta-feira (29), um evento raro para a estação. Meteorologistas apontam que o vendaval, classificado como frente de rajada, reflete a influência do El Niño no clima da América do Sul.
O fenômeno, que também afetou São Paulo e o Rio Grande do Sul no fim de semana, decorre da associação do El Niño com uma frente fria estacionária. Segundo o meteorologista Marcelo Seluchi, coordenador de operação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o vendaval no Rio foi uma linha de instabilidade desprendida do Sul do País, onde houve registro de 300 mm de chuva em cinco dias.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial, altera os padrões de vento e a distribuição de umidade no continente. Em São Paulo, as rajadas registraram 124,9 km/h, ultrapassando a velocidade mínima de furacões, enquanto no Rio de Janeiro o vento atingiu 81 km/h. As frentes de rajada são difíceis de prever, pois nenhum modelo as reproduz bem.
Seluchi alertou que, embora julho seja um mês seco, a intensidade das chuvas não é um bom sinal. Ele comentou que, na primavera, quando o El Niño estiver mais intenso, o que pode ocorrer será imprevisível.

