A manutenção da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos pode gerar suporte de curto prazo para as bolsas latino-americanas, incluindo a brasileira, segundo o Morgan Stanley. A decisão, que manteve a taxa entre 3,50% e 3,75%, reduz o risco de aperto monetário imediato, favorecendo o apetite por risco na região.
O banco de análise destacou que as ações da América Latina voltaram a apresentar correlação inversa com os juros americanos, o que beneficia os mercados locais em um ambiente de taxas mais estáveis nos EUA. Contudo, os estrategistas Nikolaj Lippmann e Julia Nogueira afirmaram que o mercado permanece em um período de “limbo”. Isso ocorre porque o Fed manteve um tom cauteloso em relação à inflação, e três dirigentes defenderam uma alta de 25 pontos-base na reunião.
A incerteza geopolítica, especificamente o conflito envolvendo o Irã, dificulta a previsão dos próximos passos da autoridade monetária americana. O Morgan Stanley avalia que a combinação de inflação elevada e o aumento das incertezas globais pode levar a novas altas de juros nos próximos meses, limitando a valorização consistente dos ativos latino-americanos.
Para o Brasil, a análise aponta que juros mais baixos nos EUA são condição necessária para uma reavaliação duradoura da bolsa. O nível elevado dos juros no país e as preocupações fiscais continuam pressionando empresas cíclicas. Assim, mesmo com o alívio do Fed, o ambiente depende de uma melhora mais clara nas condições financeiras globais e locais.

