O passivo de engenharia, focado em fundações, representa um risco de longo prazo que difere dos passivos ambiental e trabalhista. Problemas estruturais enterrados podem se manifestar anos após a entrega, comprometendo a viabilidade física do empreendimento, segundo especialistas.
A engenheira geotécnica Roberta Giarola, sócia da Sammour Engenharia Geotécnica, explica que, enquanto outros passivos possuem linhas de provisionamento específicas, os problemas de fundação raramente recebem o mesmo tratamento. Diferente de patologias visíveis, falhas nas fundações afetam a estrutura básica, e nenhum acordo jurídico consegue reverter esse dano.
O passivo de engenharia possui três características que o tornam complexo: a invisibilidade, pois a fundação fica soterrada; o tempo, visto que seu comportamento influencia a edificação por anos; e a dificuldade de atribuição de origem, já que reformas ou obras vizinhas podem gerar manifestações estruturais posteriores.
A única janela de tratamento para esse risco é durante a execução da obra. Ensaios como o teste de integridade de estacas (PIT) e a prova de carga estática (PCE) convertem incertezas em laudos técnicos precisos. A norma técnica NBR 6122 estabelece essa verificação como requisito, e não como opção do projetista.


