O Brasil deve definir se permanecerá apenas como exportador de minerais críticos ou avançará para etapas de maior valor agregado, como processamento e refino, afirmou Bárbara Mattos, vice-presidente sênior de finanças corporativas da Moody’s. A executiva disse que a disponibilidade de recursos naturais não garante posição estratégica sem uma estratégia de longo prazo.
Para ampliar a participação brasileira no mercado internacional, a executiva defendeu o desenvolvimento de toda a cadeia produtiva, abrangendo desde a extração até o processamento, o refino e a formação de mercados finais. Segundo Mattos, esse avanço depende de tecnologia, mão de obra qualificada, investimentos e regras claras, exigindo coordenação entre o setor público e empresas privadas.
A executiva explicou que uma cadeia mais integrada permite ao país reduzir a dependência de mercados externos e capturar maior retorno financeiro. Ela destacou que projetos de mineração demandam capital de longo prazo; uma mina de cobre, por exemplo, pode levar entre sete e dez anos para iniciar a produção.
Mattos citou o minério de ferro como exemplo do atual posicionamento do Brasil, onde a matéria-prima é exportada para transformação em aço em outros países. Ela afirmou que é necessário mudar o paradigma de exportador de commodities, pois a discussão central é sobre qual etapa da cadeia o país pretende ocupar.

