Pesquisadores da Universidade de Oxford documentaram múltiplas interações entre primatas e outras espécies, indicando que esses laços sociais podem ser mais comuns do que se pensava. A revisão abrangente analisou 303 casos de primatas que interagem, brincam ou adotam outros animais, sugerindo traços evolutivos antigos.
A pesquisa, publicada na revista Primates, examinou situações como langures cinzentos em Sri Lanka acariciando esquilos e macacos-de-nariz-arrepiado na China interagindo com porcos domésticos. Um caso notável ocorreu no Brasil, onde macacos-prego criaram um marmoseto bebê por meses.
O antropólogo e coautor do estudo, Cyril Grueter, comentou que tais situações não são idênticas à posse de animais em humanos, mas apontam para características desenvolvidas milhões de anos antes da chegada do Homo sapiens. Ele afirmou que os achados oferecem novos dados sobre a evolução da empatia e da flexibilidade social dos primatas.
Os pesquisadores explicam que, diferentemente de interações puramente práticas, como a formação de cardumes de peixes, o comportamento de brincar ou descansar ao lado de outro animal em primatas não apresenta recompensas óbvias. Grueter declarou que o estudo demonstra que muitos primatas exibem curiosidade e cuidado por animais que não pertencem à sua espécie.

