A agência de classificação de risco Moody’s Ratings prevê que a reavaliação da nota de crédito do Brasil ocorrerá somente em 2027, após o resultado das eleições presidenciais e legislativas. O vice-presidente de risco soberano da Moody’s afirmou que as políticas fiscais do próximo governo definirão a classificação do país.
Segundo William Foster, vice-presidente de risco soberano da Moody’s Ratings, as decisões de política fiscal e o roteiro traçado para os próximos anos são o fator mais importante para a nota de crédito brasileira. A agência indicou que um comitê de avaliação de risco será formado após as eleições do ano que vem, embora o país possa ser reavaliado antes, se necessário.
Em maio deste ano, a Moody’s alterou a perspectiva da nota de crédito do Brasil de positiva para estável, mantendo-a em Ba1, abaixo do grau de investimento. Foster estima que é preciso um ajuste fiscal de 2% a 2,5% do PIB nos gastos primários para estabilizar a dívida pública. Em maio, a dívida bruta do país atingiu 81,1% do PIB, e a agência projeta que ela chegue a cerca de 90% até 2030.
O alto endividamento é apontado como principal motivo para os juros altos no país. Foster comparou o cenário brasileiro à média da América Latina, dizendo que, em 2025, os pagamentos de juros corresponderam a cerca de 7,7% do PIB, enquanto a média regional é de 3% do PIB. A agência ressalta que a credibilidade fiscal depende da capacidade do governo de criar espaço fiscal e reduzir a rigidez orçamentária.


