Pesquisadores encontraram na província de Yunnan, China, um fóssil de réptil marinho de cerca de 245 milhões de anos. O espécime, da espécie Austronaga minuta, preservou não só o esqueleto, mas também órgãos internos como estômago, fígado e intestino. A descoberta, publicada na revista Science Advances, oferece dados inéditos sobre a anatomia de animais do período Triássico.
O réptil, que tinha aproximadamente 60 centímetros de comprimento, possuía características adaptadas à vida aquática, como nadadeiras dianteiras maiores que as traseiras. O aspecto mais notável do fóssil é a preservação dos tecidos moles. Os cientistas identificaram um estômago de câmara única e um fígado que continha resíduos ricos em ferro, indicando vestígios de hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue.
O intestino preservado, longo e simples, sugere uma dieta carnívora. Escamas de peixe encontradas no trato digestivo reforçam a hipótese de que o Austronaga minuta era um predador especializado em pequenos peixes. Os pesquisadores afirmam que essa anatomia é compatível com a de um animal carnívoro, diferentemente de espécies herbívoras.
O réptil pertence a um grupo próximo dos arcossauros, linhagem que deu origem a crocodilos e dinossauros milhões de anos depois. A comparação com descendentes mostra que intestinos mais complexos surgiram posteriormente na evolução do grupo. Os cientistas consideram a espécie uma oportunidade rara para entender os órgãos internos dos primeiros grandes vertebrados oceânicos.


