Pesquisadores recuperaram DNA viral antigo de múmias encontradas no norte do Chile, fornecendo a primeira evidência molecular direta da varíola no Novo Mundo. O patógeno, trazido pelos conquistadores espanhóis, causou um colapso populacional cataclísmico entre os povos indígenas da Mesoamérica e América do Sul.
A análise dos genomas virais das duas vítimas, que morreram no início do período colonial espanhol, revelou que o vírus pertencia a uma linhagem extinta. Essa linhagem evoluiu entre cepas conhecidas da Europa medieval e aquelas que circularam em períodos posteriores, segundo o estudo publicado na revista Science.
O primeiro surto documentado da doença nas Américas ocorreu em Hispaniola, em 1518, durante a colonização espanhola. A varíola, uma das doenças mais devastadoras da história humana, é estimada por alguns especialistas ter matado centenas de milhões de pessoas globalmente antes de ser erradicada em 1980.
As vítimas, uma mulher de 30 a 35 anos e um homem de 18 a 20 anos, foram mumificadas naturalmente na região sul do antigo Império Inca. Os achados indicam que o patógeno passou por um longo período de evolução genética até o século 16, momento em que sua disseminação se acelerou rapidamente em populações sem imunidade.

