Uma decisão da Justiça Federal detalha reunião interna da Americanas, ocorrida em janeiro de 2023, antes da divulgação de um rombo estimado em R$ 54 bilhões. O documento, obtido pela investigação da Polícia Federal, aponta que o então diretor financeiro André Covre classificou as irregularidades como fraude e alertou os presentes sobre possível responsabilização criminal.
A investigação da Polícia Federal (PF) apura um esquema que utilizou mecanismos para ocultar o endividamento real da varejista, apresentando indicadores financeiros mais favoráveis ao mercado. Segundo a PF, essas práticas teriam sido mantidas por mais de uma década, influenciando investidores e a negociação de ações da companhia.
Na reunião, André Covre recebeu uma apresentação sobre operações contábeis investigadas. Ele teria interrompido o encontro, afirmando que se tratava de uma fraude e advertindo os participantes de que poderiam ser processados e presos. A reação marcou uma mudança na condução interna do caso, que deixou de ser tratada apenas como ajuste contábil.
A Operação Disclosure, conduzida pela PF e pelo Ministério Público Federal (MPF), também apura a possível participação de acionistas de referência e representantes de instituições financeiras. Em junho deste ano, a PF deflagrou a segunda fase da operação, autorizando o bloqueio de bens dos investigados em valores que podem chegar a R$ 54 bilhões.
A defesa de acionistas de referência afirmou que eles foram sistematicamente enganados pela antiga diretoria. Os advogados declararam que só tomaram conhecimento das irregularidades em janeiro de 2023 e que aportaram bilhões na companhia para viabilizar sua recuperação judicial.


