Um estudo recente analisou milhares de romances autopublicados na Amazon e constatou que uma parcela significativa do conteúdo é gerada por inteligência artificial. A pesquisa, liderada por cientistas da computação, revelou que em 2.168 obras analisadas, mais de 50% do texto foi produzido por chatbots.
A pesquisa, que analisou uma amostra de 14.419 romances lançados entre janeiro de 2023 e março de 2026, utilizou um software de detecção de IA. Segundo o professor Tuhin Chakrabarty, da Universidade Estadual de Nova York em Stony Brook, os leitores de ficção de gênero não conseguem perceber o uso da IA nesses livros. Os pesquisadores estimam que as vendas de obras com pelo menos 25% de texto gerado por IA somaram dezenas de milhões de dólares nos últimos três anos.
A plataforma Amazon não proíbe a venda desses títulos, mas exige que autores informem o uso de IA. Contudo, os escritores não são obrigados a avisar os leitores, e o limite de dez obras por semana permite a comercialização em grande escala. Um porta-voz da Amazon, Josh Pflug, afirmou que a empresa possui diretrizes para impedir e remover conteúdos que violem essas regras.
Outros estudos também indicam o avanço da IA no setor. Um levantamento do National Bureau of Economic Research mostrou correlação entre o aumento de livros com texto de IA e o crescimento de e-books na plataforma. Enquanto isso, varejistas como a Barnes & Noble adotam posturas variadas, com alguns defendendo a exclusão total de obras geradas por IA de seus catálogos.

