O crédito imobiliário registrou R$ 180,9 bilhões em concessões no primeiro semestre de 2026, um avanço de 23% sobre o ano anterior. Contudo, o setor se prepara para uma mudança estrutural no financiamento, que migrará para um novo modelo de funding a partir de 2027, em meio a juros de mercado elevados.
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) informou que, embora o volume de financiamentos tenha superado as expectativas, a dependência da poupança diminui. Segundo o presidente da Abecip, Michel Cury, a poupança é complementada por instrumentos de captação a mercado, como Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).
A transformação do financiamento foi desenhada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central para preparar o setor. O novo modelo reserva recursos da poupança para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH), destinado a imóveis de até R$ 2,25 milhões, enquanto operações acima desse valor dependerão mais de captação direta no mercado.
O aumento dos juros de longo prazo também impacta o setor. Entre janeiro e julho, as taxas prefixadas de um, quatro e dez anos subiram de patamares próximos a 12,9%, 13% e 13,5% para cerca de 14,1%, 14,6% e 14,7%. Cury explicou que essa elevação encarece o custo marginal do funding, o que será monitorado de perto, especialmente porque o teto de juros de 12% do novo sistema está sendo questionado pelo mercado.

