As novas tarifas de 25% e 12,5% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros podem acelerar a aprovação de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a China. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping discutiram o avanço das negociações por telefone no último domingo, 26.
Os líderes bilaterais trataram da cooperação em áreas estratégicas, como inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. Os dados comerciais mostram que a balança bilateral é favorável ao Brasil. Em junho, as exportações brasileiras para a China atingiram US$ 12,291 bilhões, representando um crescimento de 24,4%, enquanto as importações chinesas somaram US$ 7,801 bilhões, com avanço de 27,1%.
No primeiro semestre de 2026, o comércio bilateral registrou um saldo positivo de US$ 19,777 bilhões. As vendas brasileiras para a China totalizaram US$ 58,322 bilhões, um aumento de 21,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, contra US$ 38,545 bilhões em compras chinesas, que cresceram 8%.
Apesar do volume comercial, a substituição do mercado norte-americano pelo chinês é complexa, visto que o mercado asiático concentra grande parte de sua pauta exportadora em commodities agrícolas. Outro país afetado pelas políticas tarifárias dos EUA, o Canadá, também busca acelerar um tratado de livre comércio com o Mercosul até o final de 2026.

