Um erro ocorrido em 1957, no interior de São Paulo, resultou na fuga de 26 abelhas rainhas africanas, dando origem à espécie híbrida conhecida como abelhas africanas. O incidente, que partiu de um experimento científico dos anos 1950, transformou a apicultura brasileira, gerando um inseto de alta produtividade.
O surgimento da espécie híbrida tem raízes em uma tentativa de aprimorar a produção agrícola no país. Em 1956, o geneticista Warwick Estevam Kerr iniciou um projeto para encontrar alternativas que melhorassem a produção de mel em regiões quentes, pois as abelhas europeias apresentavam baixa produtividade no clima brasileiro. Kerr importou 63 abelhas da África do Sul e da Tanzânia para uma estação de pesquisa em Rio Claro, São Paulo.
O experimento foi interrompido em outubro de 1957. Um apicultor visitante removeu as telas de continhas, permitindo a fuga de 26 rainhas do tipo africano para a mata. Essa falha gerou espécies naturalmente híbridas, as chamadas abelhas africanas, que se adaptaram ao clima tropical e apresentaram alta produção de mel.
As abelhas africanizadas são caracterizadas por comportamento agressivo e indomável. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Universidade da Flórida (UF/IFAS), o risco não é o veneno, mas a forma como atacam, agindo simultaneamente e com igual intensidade na defesa de suas colônias.

