Uma jovem rohingya de 25 anos sobreviveu a um naufrágio ao tentar deixar os campos de refugiados em Cox’s Bazar, Bangladesh. Ela fugiu da violência étnica e da guerra civil em Mianmar, buscando sair do complexo onde mais de um milhão de pessoas vivem em condições precárias.
A sobrevivente, que passou dois dias e uma noite à deriva no mar de Andamão, foi avistada por um navio de resgate. Ela embarcou em um barco pesqueiro em abril, após ser levada por um traficante que prometeu tratá-la bem. O naufrágio ocorreu após quatro dias de viagem, com cerca de 280 pessoas a bordo.
Segundo a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), o ano de 2025 foi o mais letal em travessias marítimas, com cerca de 900 rohingyas registrados como mortos ou desaparecidos. Em 2026, o número de mortes continua a aumentar. Mais de 6.500 rohingyas tentaram deixar os campos por via marítima em 2025, e um em cada sete foi registrado como morto ou desaparecido, segundo a ONU.
O tráfico de pessoas é um negócio lucrativo em Cox’s Bazar. Um traficante relatou ganhar até 250 mil takas (cerca de R$ 11 mil) por viagem. As autoridades tentam conter o fluxo ilegal. O tenente da Guarda Costeira Mohammad Rawnak Rahman afirmou que a Guarda Costeira resgatou 618 vítimas do tráfico de pessoas neste ano, enquanto o promotor Tawhidul Anwar disse lidar com cerca de 500 casos de tráfico.

