Empresas brasileiras devem renegociar contratos e buscar novos compradores após a imposição de tarifa de 25% pelos Estados Unidos. O especialista Marcelo Godke afirma que poucas alternativas jurídicas de curto prazo existem para reverter a medida, que faz parte de uma estratégia americana de reindustrialização.
A tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros obriga as empresas exportadoras a reverem contratos e buscarem novos compradores. Segundo Marcelo Godke, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Empresarial, as opções tradicionais, como negociação diplomática ou contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC), estão prejudicadas pela falta de ação do governo brasileiro.
Godke explica que a medida faz parte de uma estratégia maior do governo americano para fortalecer a indústria local, visando que a produção ocorra nos EUA em vez de importar commodities e produtos acabados. Diante disso, o advogado sugere que as empresas avaliem a montagem de fábricas no território americano no longo prazo.
No curto prazo, o desafio principal é absorver os custos da tarifa, o que é difícil devido à alta carga tributária, taxa de juros e custo de logística no Brasil. Por isso, a renegociação com clientes e fornecedores será inevitável, dependendo das cláusulas contratuais.
Para minimizar os impactos, o especialista defende que as empresas reduzam a dependência do mercado americano e ampliem a presença em outros países. Ele alerta, contudo, que estratégias como o ‘reinvoicing’ em outros países do Mercosul exigem cautela para não configurar fraude.


