José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo do PT, apresentou propostas econômicas ao mercado financeiro em São Paulo, defendendo o aumento do salário mínimo e medidas de controle de capitais. As ideias, contudo, não foram validadas pelo Ministério da Fazenda, pela direção nacional do PT nem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Gabrielli defendeu a elevação do salário mínimo como forma de estimular a saída de beneficiários do Bolsa Família e reduzir desigualdades. Ele sustentou que o combate à inflação não depende apenas da política monetária. As alternativas propostas incluem o fortalecimento de bancos públicos, a formação de estoques reguladores de alimentos e instrumentos para reduzir a volatilidade cambial, como controles de capitais. O ex-presidente da Petrobras também sugeriu aumentar a tributação sobre as camadas de maior renda.
Embora Gabrielli reconheça que a dívida bruta do governo geral ultrapassa 80% do PIB, ele argumentou que a principal questão fiscal reside nas emendas parlamentares. Ele defendeu que a eficiência do gasto pode ser ampliada por melhorias de gestão, sem necessidade de alterar pisos constitucionais. Sobre um eventual quarto mandato de Lula, Gabrielli afirmou que o foco deve ser transição energética, terras-raras, educação e formação técnica.
A reunião ocorreu em momento de tensão interna. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem defendido ao mercado a necessidade de moderar despesas obrigatórias por meio de mudanças estruturais. Enquanto isso, Gabrielli afirmou que Durigan é “o porta-voz legítimo da política econômica” da campanha, indicando que seus temas fazem parte de um processo participativo de elaboração do programa.

