O vencedor do Nobel de Economia, Paul Krugman, criticou a decisão do governo de Donald Trump de impor tarifas ao Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O economista afirmou que a ação busca punir o sucesso do Pix, mas avalia que a medida dificilmente atingirá seu objetivo.
Krugman questionou a deslealdade de um país oferecer aos próprios cidadãos uma forma de pagamento superior. Segundo o economista, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, Pix, tornou-se amplamente utilizado por oferecer transações gratuitas para pessoas físicas e de baixo custo para empresas. Ele declarou que classificar o Pix como prática comercial desleal não faz sentido, pois uma empresa não deve perder mercado para um concorrente com produto melhor e mais barato.
O Nobel de Economia sustenta que a exigência de que bancos brasileiros ofereçam o Pix é comparável à obrigação de instituições financeiras americanas aceitarem depósitos e saques em dólares. Krugman comentou que a principal preocupação por trás das críticas ao Pix seria o impacto sobre empresas americanas como Visa e Mastercard, e o temor de que sistemas públicos de pagamentos desafiem a predominância do dólar.
A análise também abordou a resistência à criação de moeda digital pelo Federal Reserve (Fed), que, segundo Krugman, decorre mais do receio de que um dólar digital funcione bem demais. A economista Monica de Bolle, do Peterson Institute for International Economics, disse que o redirecionamento do comércio global provocado pelas tarifas americanas fortaleceu a posição exportadora do Brasil.

